Palavras ditas ao vazio,
Ditas em direção ao buraco do coração
Alheio.
Sonorosas abriduras das manhãs,
As bomdiações,
As curinguices,
Os mistérios de fome,
De desejo,
De nutrição e de ócio.
Comunico,
Digo as tonturas e torturas,
Passeio por memórias do que aconteceu,
Compartilho,
Tal e qual memórias do que poderão ser,
Imaginações que superam o abismo.
Li, por Larry Crabb[1], o quanto Maggie Ross sondou,
Sapienciou,
O quanto a solidão denuncia Deus necessitado em nosso âmago.
A solidão como anseio dele.
Aos cachos escuros da negra noite,
Nas vastidões dos-sem-motivos para carnavalizar,
Como em qualquer tempo,
Falo com o que é contra ou com o que é surdo:
E não me ouço como não ouço ninguém a responder.
Mas, sigo...
Não padeço da cara crua nem do peito morno.
Sou irradiações,
Mais que alfa, beta e gama.
Sigo atravessando,
Com ou sem travessuras advindas da boca muda,
Do ser irrespondedor.
Minha palavra é alimento.
Nutre, eu sei!
É vida que vai de mim, mas não veio de mim.
Eu extraio,
Torço as raízes que preciso para confeccionar as tintas,
Farei as pinturas que pintarei como minha fala nutritiva.
Formarei paixões e romances na mente da noite.
Desde o amanhecer,
Até mesmo nas inoportunas horas,
Emana o que não me atrevo a furtar de ninguém.
Darei dos tesouros que me deram.
Cumprirei não uma sina e,
Sim,
Plantarei os tempos surdos dos amanhãs.
Aqui e acolá o peito esburacado não estará mais vazio.
As arrepiações do nada frutificarão...
As nutrições não eram só para mim,
Tonturas e torturas não eram só as minhas,
O trabalho que comunica amor não falhou.
Nunca falha.
Só fala.
Só fale.
Só falo.
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