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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Do meme à trolagem: a escola está preparada para a linguagem dos jovens?


 












Cada vez mais se pensa sobre ferramentas, metodologias e recursos capazes de melhorar o processo de ensino-aprendizagem. A escola procura novas formas de dialogar com crianças, adolescentes, jovens e adultos, sobretudo em uma sociedade profundamente atravessada pelas tecnologias digitais. Nesse cenário, gostaria de destacar uma prática bastante presente no universo juvenil: a trolagem.

A princípio, pode parecer estranho aproximar trolagem e educação. Afinal, estamos falando de uma prática frequentemente associada à provocação, ao deboche, ao engano e, em situações mais graves, à humilhação. Entretanto, justamente por fazer parte do cotidiano de muitos adolescentes, talvez seja necessário perguntar: a trolagem nas escolas deve ser entendida apenas como desobediência estudantil ou pode, mediante intencionalidade e mediação adequadas, transformar-se também em objeto e ferramenta pedagógica?

Não proponho naturalizar ofensas, muito menos transformar bullying em brincadeira aceitável. A questão é outra. Se determinada linguagem já circula entre os estudantes, talvez a escola possa compreendê-la, problematizá-la e, em determinadas circunstâncias, ressignificá-la pedagogicamente.

 

Entre a provocação e a brincadeira

Trolagem, ou trollagem, pode ser compreendida como o ato intencional de provocar, irritar, enganar ou zombar de alguém com o propósito de obter determinada reação. No ambiente digital, o termo ganhou força para caracterizar mensagens provocativas, falsas, irônicas ou ofensivas publicadas justamente para desencadear respostas emocionais.

Esse aspecto merece atenção: a trolagem trabalha essencialmente com a reação do outro.

Quem trola lança uma provocação e espera uma resposta. Por isso, não podemos afirmar que toda trolagem seja inofensiva. Dependendo da situação, da pessoa envolvida, da exposição produzida e principalmente da repercussão nas redes sociais, aquilo que para um estudante parece apenas engraçado pode provocar constrangimento, sofrimento psicológico, exposição pública e até configurar bullying ou cyberbullying.

Na escola, essa dimensão torna-se ainda mais delicada. Professores conhecem há décadas pequenas brincadeiras coletivas criadas para provocar colegas ou até o próprio docente. Muito antes dos smartphones e das redes sociais, já existiam expressões, gestos e brincadeiras que interrompiam uma aula e provocavam risadas coletivas. Mudaram as formas, mas não desapareceu o desejo juvenil de provocar, testar limites e conquistar a atenção do grupo.

A grande diferença contemporânea talvez esteja na escala da exposição. Antes, uma brincadeira poderia começar e terminar dentro da sala de aula. Hoje, um celular transforma aquele acontecimento em vídeo e, em poucos minutos, o episódio pode ultrapassar os muros da escola. A plateia deixou de ser apenas a turma.

Isso exige do professor não somente autoridade pedagógica, mas inteligência emocional, capacidade de mediação e compreensão da cultura digital na qual seus estudantes estão inseridos.

 

Das antigas pegadinhas à cultura digital

Podemos compreender parte da trolagem contemporânea como uma atualização das antigas pegadinhas. O Brasil das décadas passadas acompanhou programas de televisão baseados em situações inesperadas, câmeras escondidas, brincadeiras e nas famosas “videocassetadas”. Antes de falarmos em memes, viralização ou redes sociais, já existia uma cultura do humor baseada na surpresa e na reação espontânea das pessoas.

O que mudou foi o ecossistema comunicacional.

Hoje, adolescentes não são apenas consumidores dessas produções. Eles também são produtores de conteúdo. Com um celular nas mãos, aplicativos gratuitos e conhecimentos básicos de edição, qualquer estudante pode produzir, editar e publicar vídeos para uma audiência potencialmente enorme.

Estamos diante de uma característica importante da chamada cultura participativa digital: o jovem deixou de ocupar exclusivamente a posição de espectador. Ele grava, interpreta, edita, publica, comenta, compartilha e busca repercussão.

E é justamente nesse ponto que vejo uma possibilidade para a escola.

Em vez de simplesmente perguntar como impedir que os estudantes produzam determinadas formas de conteúdo, podemos também perguntar: como educá-los para produzir?

 

Quem é o “troll” da sala de aula?

A própria origem da palavra oferece uma imagem interessante. “Troll” remete às criaturas do folclore nórdico, mas o termo também foi associado à ideia de lançar ou arrastar uma isca esperando que alguma coisa “morda”. No ambiente digital, a metáfora é bastante apropriada: o troll lança a isca da provocação e aguarda a reação.

Talvez existam, metaforicamente, pequenos “trolls” em nossas salas de aula: estudantes comunicativos, inquietos, criativos, capazes de mobilizar rapidamente os colegas e provocar reações. O problema não está necessariamente nessa capacidade de comunicação. Está na maneira como ela é utilizada.

Um adolescente capaz de fazer uma turma inteira prestar atenção em uma brincadeira possui, afinal, alguma capacidade de mobilização. Quem consegue imaginar uma situação engraçada, organizar colegas, gravar, interpretar e editar um vídeo também está mobilizando competências comunicativas, criativas e tecnológicas.

 

Por que não canalizar parte dessa energia?

Evidentemente, há limites que não podem ser relativizados. O prazer de ridicularizar alguém, transformar sofrimento em entretenimento ou conquistar audiência mediante humilhação precisa ser enfrentado pedagogicamente. Não se trata de romantizar comportamentos ofensivos. Pelo contrário: trazer essas práticas para o campo da reflexão escolar pode ser justamente uma maneira de discutir empatia, consentimento, responsabilidade, privacidade, ética digital e consequências da exposição pública.

Em outras palavras, talvez seja possível ensinar ao estudante que produzir humor é diferente de produzir humilhação.

 

Da trolagem à autoria estudantil

Imagine uma escola que organize pequenos núcleos de produção audiovisual ou células de cinema, nas quais os estudantes possam criar micronarrativas, roteiros, vídeos curtos, esquetes e situações humorísticas relacionadas aos conteúdos estudados.

Nesse contexto, a linguagem da trolagem poderia ser ressignificada.

Um professor de Ciências poderia propor uma situação humorística construída em torno de um erro científico que os estudantes precisariam identificar. Em Matemática, uma pegadinha poderia explorar um raciocínio aparentemente correto que conduz a uma conclusão absurda. Em Língua Portuguesa, seria possível trabalhar ambiguidade, ironia, argumentação, fake news e interpretação. História e Geografia poderiam explorar anacronismos, informações falsas e conflitos de perspectiva.

A brincadeira, portanto, deixaria de ter como finalidade simplesmente ridicularizar alguém. A “isca” passaria a ser cognitiva: provocar curiosidade, dúvida, investigação e aprendizagem.

Essa abordagem aproxima-se da aprendizagem baseada em projetos e das metodologias que valorizam protagonismo e autoria estudantil. Para produzir um vídeo curto, por exemplo, os estudantes precisam pesquisar, selecionar informações, escrever um roteiro, definir personagens, organizar uma sequência narrativa, gravar, editar, revisar e avaliar o resultado.

Aquilo que aparentemente seria apenas uma brincadeira passa a mobilizar diferentes competências.

 

Um laboratório para discutir ética digital

Talvez o maior potencial pedagógico esteja justamente nos limites.

Antes de produzir qualquer conteúdo, a turma poderia discutir: até onde uma brincadeira pode ir? Uma pessoa pode ser filmada sem saber? Existe diferença entre rir com alguém e rir de alguém? O que acontece quando um vídeo deixa a sala de aula e chega às redes sociais? Quem é responsável pela publicação? O consentimento dado para participar de uma atividade escolar significa autorização para publicação pública?

Essas perguntas transformariam o projeto em verdadeiro exercício de letramento e cidadania digital.

Também seria possível trabalhar competências socioemocionais, como empatia, autocontrole, responsabilidade, cooperação e capacidade de perceber os efeitos das próprias ações sobre outras pessoas.

Um projeto dessa natureza não precisaria ficar sob responsabilidade isolada de um professor. Pelo contrário, poderia envolver diferentes áreas do conhecimento, coordenação pedagógica e, quando necessário, profissionais capazes de contribuir com questões relacionadas à tecnologia, comunicação, emoções e convivência escolar.

A própria construção das regras poderia fazer parte da aprendizagem. Os estudantes poderiam elaborar coletivamente princípios para uma “trolagem pedagógica”: ninguém pode ser humilhado; ninguém deve ser exposto sem consentimento; características físicas, sociais ou pessoais não podem servir de instrumento de ridicularização; conteúdos não devem ser publicados externamente sem autorização; e toda produção precisa possuir uma finalidade educativa previamente definida.

Nesse momento, algo interessante acontece: o estudante deixa de discutir apenas como produzir um vídeo engraçado e passa a refletir sobre a responsabilidade envolvida naquilo que produz.

 

Proibir ou ressignificar?

Não pretendo apresentar aqui uma metodologia pronta, tampouco afirmar que professores devam simplesmente permitir trolagens dentro das escolas. Minha intenção é provocar uma reflexão.

Quando uma manifestação cultural dos jovens entra na escola, temos pelo menos duas possibilidades. Podemos tratá-la exclusivamente como ruído e tentar eliminá-la ou podemos compreender sua linguagem, estabelecer limites e investigar se existe nela alguma possibilidade educativa.

Isso não significa que toda prática juvenil precise ser incorporada ao currículo. Há comportamentos que exigem intervenção firme. Bullying, cyberbullying, humilhação, violência e exposição indevida não podem receber uma roupagem pedagógica apenas porque foram apresentados como “brincadeira”.

Mas existe uma diferença importante entre legitimar uma prática prejudicial e apropriar-se criticamente de sua linguagem.

Talvez seja justamente essa segunda possibilidade que mereça maior atenção.

A escola contemporânea convive com estudantes que carregam câmeras, ilhas de edição, bibliotecas, redes de comunicação e plataformas de publicação dentro do próprio bolso. Proibir completamente esse universo pode significar desperdiçar oportunidades educativas. Aceitá-lo sem critérios seria igualmente irresponsável.

O caminho mais interessante talvez esteja na mediação pedagógica.

Se nossos estudantes já criam vídeos, memes, pegadinhas e pequenas narrativas digitais, a escola pode ajudá-los a transformar espontaneidade em autoria, audiência em responsabilidade, provocação em reflexão e tecnologia em conhecimento.

Talvez a pergunta, portanto, não seja simplesmente se devemos permitir ou proibir a trolagem nas escolas.

A pergunta mais produtiva pode ser outra: o que a escola consegue ensinar quando decide compreender aquilo que seus estudantes já estão tentando comunicar?

 

Referências para consulta

PRIBERAM. Trolagem. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em: dicionario.priberam.org/trolagem. 

DICIO. Trollar. Dicionário Online de Português. Disponível em: dicio.com.br/trollar. 

TECHTUDO. O que são trolls e o que é trollagem? Disponível em: techtudo.com.br. 

WIKIPEDIA. Trolling. Verbete consultado em versão traduzida para o português.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Com ações na saúde e apoio de Ronisteu, Paulo Bengtson fortalece presença política em Marabá






















MARABÁ (PA) – Cinco anos depois de o Olhar do Alto registrar a atuação do então deputado federal Paulo Bengtson na busca por equipamentos para reforçar o sistema público de saúde do Pará durante um dos períodos mais críticos da pandemia de Covid-19, o nome do ex-parlamentar volta ao cenário eleitoral paraense. 

Paulo Bengtson é candidato a deputado federal pelo MDB nas eleições de 2026, com o número 1556. O retorno à disputa pela Câmara dos Deputados também traz de volta ao debate o histórico de seu mandato e algumas das articulações realizadas em Brasília em benefício de municípios paraenses.

Uma delas teve Marabá como beneficiária.

Quando Marabá precisava de respiradores

Em 26 de abril de 2021, o Olhar do Alto publicou reportagem sobre a atuação de Bengtson junto ao Ministério da Saúde para a liberação de ventiladores pulmonares destinados ao enfrentamento dos casos graves de Covid-19.

Naquela ocasião, o blog também relembrou uma ação realizada no ano anterior: em 2020, Paulo Bengtson havia destinado cinco respiradores para Marabá, atendendo a uma demanda apresentada pelo vereador pastor Ronisteu, então presidente municipal do PTB.

O episódio ocorreu justamente no período em que respiradores e leitos de Unidade de Terapia Intensiva se tornaram recursos decisivos no enfrentamento da pandemia.

A atuação registrada pelo Olhar do Alto não se restringiu a Marabá.

Em abril de 2021, diante de um novo agravamento da pandemia, Bengtson solicitou ao Ministério da Saúde ventiladores pulmonares para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública paraense.

Segundo as informações divulgadas na época, 18 equipamentos foram disponibilizados para quatro municípios do Pará: Bragança recebeu nove; Redenção, cinco; Cametá, dois; e Tucuruí, outros dois.

Parte dos equipamentos foi destinada a hospitais, unidades de pronto atendimento e estruturas públicas que enfrentavam a pressão provocada pelo crescimento das internações.

Na reportagem publicada pelo Olhar do Alto, Bengtson justificava a mobilização pela elevada ocupação das unidades de saúde e pela necessidade de ampliar rapidamente a disponibilidade de vagas de UTI.

Uma atuação que alcançou diferentes regiões do Pará

A distribuição dos equipamentos ajuda a dimensionar geograficamente aquela articulação. Os respiradores chegaram a municípios de diferentes regiões paraenses.

Em Bragança, seis dos nove equipamentos já haviam sido entregues quando a reportagem foi publicada. Três seriam instalados no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria e três na UPA do município. Os demais seriam encaminhados à Secretaria Municipal de Saúde.

Redenção recebeu cinco equipamentos destinados ao Hospital Regional Público do Araguaia. Tucuruí foi contemplada com dois respiradores para a UPA 24 horas, enquanto Cametá recebeu outros dois equipamentos para a UPA Dr. Haroldo Martins.

Em Marabá, os cinco respiradores mencionados pelo Olhar do Alto haviam sido destinados ainda em 2020.

O resgate desses acontecimentos permite observar, com a distância do tempo, uma das frentes de atuação do então deputado federal durante uma emergência sanitária que exigiu interlocução constante entre municípios, Estado, bancada federal e governo federal.

De 2018 a uma nova disputa em 2026

Paulo Eduardo Maestri Bengtson foi eleito deputado federal pelo Pará nas eleições de 2018, então pelo PTB, e integrou a legislatura iniciada em fevereiro de 2019.

Em 2022, buscou permanecer na Câmara dos Deputados, recebeu 99.804 votos, mas não conseguiu uma das vagas do Pará.

Quatro anos depois, o cenário é outro.

Bengtson está agora filiado ao MDB e retorna às urnas como candidato a deputado federal pelo Pará. Seu número na eleição de 2026 é 1556.

Para Marabá, a nova candidatura também oferece oportunidade para revisitar o histórico da passagem do ex-deputado por Brasília. Entre os registros desse período está justamente a articulação que, em meio à maior crise sanitária das últimas décadas, resultou na destinação de cinco respiradores ao município.

Cinco anos depois da reportagem publicada pelo Olhar do Alto, aquele episódio passa a integrar o retrospecto político de um personagem que novamente busca representar o Pará na Câmara dos Deputados.

Paulo Bengtson é candidato a deputado federal pelo MDB, número 1556.

O mandato cultural e nossa responsabilidade no Brasil


No capítulo 4 de Governai, Evando Martins Filho apresenta o mandato cultural como uma responsabilidade ligada ao propósito de Deus para a humanidade: cultivar, administrar e ordenar a criação. 

Governar a terra, nessa perspectiva, não significa impor um regime teocrático. Significa reconhecer que o cristão, orientado por princípios bíblicos, deve influenciar a cultura e a vida pública, servindo à sociedade e refletindo valores como verdade, justiça, liberdade e responsabilidade.

Essa vocação alcança também o governo dos homens. Como o autor afirma na página 61, a terra foi confiada ao ser humano, que deve gerir seus recursos de maneira sábia, justa e generosa, visando ao benefício de toda a raça humana. 

A cidadania celestial não produz alienação terrena; amplia nossa responsabilidade. Somos cidadãos do Reino e responsáveis pela cidade, pelas instituições e pelo bem comum.

O capítulo também ressalta, com Jeremias Couto, que a comissão política e cultural foi dada ao gênero humano, incluindo crentes e incrédulos. Platão é lembrado para mostrar que a vida pública nos alcança: afastar-se da política não significa deixar de ser governado. E Wayne Grudem é citado ao recordar transformações históricas associadas à influência cristã, como o enfrentamento do infanticídio, dos sacrifícios humanos, das lutas de gladiadores, da escravidão e de práticas incompatíveis com a dignidade humana.

Na discussão sobre a “Era dos Direitos”, o livro reconhece conquistas jurídicas, mas alerta que direitos, poder e liberdade permanecem em disputa cultural. Por isso, a fé cristã não pode ser confinada ao espaço privado.

Às vésperas das eleições de 2026, essa reflexão ganha relevância no Brasil. Participar da vida pública, avaliar propostas, votar com consciência e defender convicções democraticamente fazem parte dessa responsabilidade. 

Não se trata de dominar pessoas em nome da fé, mas de servir, influenciar e governar com princípios, preservando a liberdade e buscando justiça e bem comum. O mandato permanece: não abandonar a sociedade, mas atuar nela com responsabilidade.

sábado, 22 de agosto de 2026

Política antes que seja tarde: quando a omissão também se torna uma escolha




































No primeiro capítulo de Política Antes que Seja Tarde, intitulado “Militância Política – Antes que tudo seja destruído”, Robson Rodovalho apresenta uma convocação à participação cristã na vida pública. Sua reflexão parte de uma pergunta bíblica decisiva: “Destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?”, do Salmo 11:3. Para o autor, quando verdade, justiça e integridade deixam de sustentar a sociedade, não apenas as instituições adoecem: o próprio cidadão perde referências para discernir o caminho.

A partir dessa premissa, oito reflexões atravessam o capítulo:

1. Verdade e justiça são fundamentos. Rodovalho associa esses valores à própria identidade de Cristo e argumenta que nenhuma sociedade permanece firme quando seus alicerces morais são relativizados.

2. A omissão também produz consequências. Recorrendo à conhecida frase atribuída a Edmund Burke, segundo a qual o triunfo do mal depende da inércia dos bons, o autor confronta a passividade daqueles que possuem valores, mas se afastam da vida pública.

3. Nem toda motivação política serve ao bem comum. Proteção financeira, corporativismo, narcisismo e partidarismo são apresentados como desvios capazes de transformar a política em instrumento de interesses particulares, grupos ou projetos pessoais.

4. O país necessita de projeto, não apenas de poder. A crítica alcança partidos e lideranças que, na visão do autor, se preocupam mais com eleições, discursos e permanência no poder do que com um projeto coerente de nação.

5. A crise contemporânea ultrapassa a política. Problemas ambientais, sociais, econômicos e demográficos são relacionados pelo autor ao cenário profético das Escrituras. Contudo, a profecia não deveria servir como justificativa para a passividade.

6. A disputa é também cultural e espiritual. Ao tratar da chamada “Nova Ordem Mundial”, Rodovalho interpreta transformações culturais como parte de um movimento de enfraquecimento da tradição judaico-cristã e defende a presença ativa dos cristãos nas instituições.

7. O Apocalipse não pode se transformar em desculpa para a omissão. Eis uma das provocações centrais do capítulo: o avanço do mal deve ser encarado simplesmente como inevitável cumprimento profético ou também como consequência do silêncio daqueles que deveriam exercer uma voz profética?

8. A responsabilidade pelo futuro começa no presente. Rodovalho conclui deslocando a discussão da contemplação para a ação. Para ele, a Igreja precisa ocupar responsavelmente os espaços da sociedade, influenciar sua geração e participar da construção do mundo que deseja deixar às próximas gerações.

O capítulo deixa, portanto, uma pergunta incômoda e necessária: quando os fundamentos estão sendo abalados, estaremos apenas assistindo ao que acontece ou assumiremos responsabilidade pelo tempo histórico que nos foi confiado? 

Para Rodovalho, fé, cidadania e responsabilidade pública não deveriam caminhar separadas. A política, nesse sentido, deixa de ser apenas disputa eleitoral e passa a ser também território de consciência, valores e serviço ao bem comum.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Propaganda eleitoral dentro da lei também é exercício de cidadania


 











Com a campanha eleitoral nas ruas, o Blog Olhar do Alto reuniu, de forma simples e objetiva, informações para ajudar o cidadão a identificar situações de propaganda eleitoral irregular e saber como agir. 

A orientação vale para Marabá, todo o Pará e qualquer município brasileiro. As regras eleitorais existem para todos e devem ser respeitadas por candidatos, partidos, equipes de campanha e apoiadores, independentemente do cargo em disputa.

Entre as situações que merecem atenção estão propaganda irregular em bens públicos e equipamentos urbanos, uso de outdoors ou estruturas com efeito semelhante, abusos relacionados à propaganda sonora, derrame de santinhos nas condições proibidas pela legislação e irregularidades na propaganda pela internet.

Em períodos eleitorais, o respeito às regras não é apenas uma obrigação de candidatos e partidos. É também uma das bases para que a disputa aconteça em condições democráticas. Como observa o cientista político e professor do Insper Fernando Schüler, “a democracia demanda um olhar dirigido a todos os lados do jogo. De nada vale o olhar seletivo”. A reflexão reforça um princípio essencial da fiscalização eleitoral: a regra precisa ser observada independentemente de quem esteja disputando a eleição.

Ao presenciar uma possível infração, o cidadão pode registrar fotos, vídeos e outras informações e encaminhar a ocorrência à Justiça Eleitoral pelos canais oficiais, entre eles o Pardal Móvel.

Fiscalizar não significa perseguir candidato A ou B. Significa exigir que todos disputem o voto respeitando as mesmas regras.

A participação cidadã também passa pela informação. Em debate promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral sobre voto consciente, o comentarista político Caio Coppolla defendeu que “o eleitor consciente é o eleitor bem informado”, destacando a importância de conhecer o que acontece na própria comunidade e no país.

A democracia também se fortalece quando o eleitor conhece seus direitos, acompanha a campanha, busca informação e cobra respeito à legislação e ao espaço público.

Fiscalizar uma possível irregularidade, portanto, não significa tomar partido. Significa contribuir para que a disputa aconteça dentro das regras estabelecidas para todos.

Campanha se faz com propostas, diálogo e respeito. A lei vale para todos.