EINSTEIN PREPARAÇÃO

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sábado, 4 de abril de 2026

O desejo que nasce de uma falta literária

            

        Como lidar com as sensações que temos diante de desejos que não podemos realizar? Não falo de desejos proibidos de serem realizados, nem desejos ilícitos ou de práticas socialmente sabidas criminosas. Falo de coisas boas, que já foram vividas e que, de repente, começam a reanimar nossos sentimentos.

    Contudo, o tempo passou e o que foi vivido já foi vivido. E, muitas vezes, aconteceram coisas boas em nossas vidas que, por mais que elas tivessem o poder de nos beneficiar, no fundo a gente não via a hora de concluir o ciclo e prosseguir para a próxima fase da vida.

            É muito disso que senti. Senti o desejo por algo que já tive, mas que hoje é uma falta.

Há poucos dias fui tomado pelo desejo de invadir uma sala de aula em que pudesse estar acontecendo algum debate sobre a boa literatura. E era exatamente isso. Havia um buraco no peito, um desejo por mergulhar no universo da teoria literária com pessoas famintas por discutir seus pontos de vista e experiências estéticas sobre algum romance ou conto brasileiro.

Vejam bem. Não poderia ser uma sala de aula qualquer. Talvez até pudesse ser uma sala de aula qualquer no sentido de algo material ou geográfico. Ainda que fosse uma sala sem ar-condicionado, êta sofrimento! Ou ainda fosse distante da minha casa. Tinha que ser um espaço educacional em que houvesse, necessariamente, repito, necessariamente, as vozes fazendo inferências das estrofes de algum poema, atravessando a natureza de suas percepções com as demais áreas do conhecimento humano, impulsionando a produtividade do debate literário às alturas mais apoteóticas.

Era isso.

Como poderia ser isso? Bem, cursei Letras. Amei cursar. Obviamente, faz todo sentido. A beleza da arte literária é algo que se carrega para a vida inteirinha. Todas as boas e as infelizes vezes em que fomos desafiados a ter que labutar com textos artísticos, por mais que as circunstâncias fossem atrapalhadoras, era uma oportunidade de viver algo que só a poesia permite viver quando avançamos em seu universo.

Talvez fosse a aura que eu estivesse, novamente, querendo apreciar. Eu a aprecio sozinho com minhas leituras, com minha biblioteca pessoal. Mas, dessa vez, era diferente. Tinha um detalhe. Aquele círculo. Aquela roda de leitura. Aquele encontro entusiasmado para uns e maçantes para outros.

Era essa invasão que agora eu precisava lidar. Lidei. Não invadi. Mas, desejei. Por falta.

sábado, 28 de março de 2026

Brasileiro exilado morre na Argentina, graças ao Direito morto no Brasil

 

Repercutiu neste sábado, 28 de março, em alguns canais de notícia da chamada Extrema-Imprensa digital, como o Metrópoles, a morte de um brasileiro exilado na Argentina. O motivo? Foi condenado pelo Poder Judiciário, no Brasil, pelo suposto “Golpe de 8 de janeiro”, que teria derrubado a democracia em nosso país.

Quer saber como os quase 1.400 ocupantes das sedes dos três poderes iriam derrubar o Estado Democrático de Direito da República Federativa do Brasil? Assim, dando aquele golpe:


Aquele golpe com vendedores de pipoca e picolé invadindo igual MST e CUT fizeram muitas vezes;

Aquele golpe que arrastou até mendigo que estava em sua condição de rua na rua.

Aquele golpe com senhorinhas com a Bíblia Sagrada na mão;

Aquele golpe com mulheres orando de joelhos no Senado;

Aquele golpe com batom que escreve em estátua: “Perdeu, mané!”;

Aquele golpe em que Flávio Dino disse que não era responsável pelas imagens de quem depredou patrimônio público;

Aquele golpe em que Dias Toffoli caminhava pelo Congresso acompanhando os manifestantes, servindo água;

Aquele golpe com manifestantes sem armas;

Aquele golpe sem o Exército Brasileiro se envolver em nada, sem nenhum tanque de guerra nas ruas;

Aquele golpe sem o apoio de nenhum partido político interessado em governar o que sobraria depois;

Aquele golpe sem que nenhuma parte da grande imprensa nacional participasse;

Aquele golpe em que o presidente derrotado nas eleições, com ajuda do TSE, Supremo, Extrema-Imprensa e cia., estava em outro país;

Aquele golpe em que esse mesmo presidente, sabotado por desafetos abertamente conhecidos, ocupantes de instituições democráticas de nível federal, já havia passado o comando das Forças Armadas para o sucessor;

Aquele golpe em que o presidente forçado a perder foi à imprensa orientar abertamente o povo brasileiro a seguir o ritmo democrático, dentro das “quatro linhas da Constituição”.

Era esse golpe aí.

Julgado pelos togados que já tinham o sangue do Clezão nas mãos.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Bandidos não sentem vergonha. Sentem “justiça”.

Um microconto macabro.


O Brasil inteiro, hoje, sabe que o STF blindou, freou, deu reset às investigações contra quem roubou os aposentados e pensionistas do INSS.


Dá pra acreditar que há pessoas idosas sendo roubas com a ajuda do Poder Judiciário proibidor do prosseguimento da CPMI do INSS? 


Dá. Eis o espanto.

domingo, 22 de março de 2026

Maldades que já me fiz por amor

Não perceber que era maldade.

Fingir que não sofria.

Carregar toda a culpa

Carregar toda a culpa até quando sem culpa.

Pensar em amar pouco, amar menos, amar pequeno.

Pensar em não mais amar.

Não me defender.

Desprezar as próprias virtudes.

Paralisar bons trabalhos.

Julgar-me lento quando humanamente era necessário ser lento.

Parar o que eu não queria sequer atrasar.

Menosprezar, inclusive, os talentos mais notórios.

Ferir quem sou como se quem sou nunca bastasse.

Dizer nomes feios.

Não aproveitar o tempo de Graça.

Viver esquecido de que há Misericórdias matinais.

Não viver o remédio do meu choro.

Sepultar em vida o que não merecia morrer.

Encasular-me sem evolução.

Não aguentar com o peso que era justo que eu não aguentasse.

Cegar-me diante dos defeitos que proposito tratar.

Perder a fome.

Literalmente perder a fome.

E, o pior, parar de comer.

sábado, 21 de março de 2026

Dor e oxigênio

Eu mergulho na minha dor

Como quem não tem rumo.

 

Maximizo. Centralizo. Focalizo.

 

Isso não é bom!

 

Asfixio...

Perco a oxigenação do cérebro

Por onde as ideias passam.

Passam só as insolúveis: medo, culpa, impotência

E autocomiseração.

 

Outros órgãos são afetados

Bem como suas capacidades.

Não enxergo mais nada que não seja por ela.

Vou endoendo todos cenários da minha vida.

Perdido, desesperançado à medida que não vejo

Solução para ela.

Sinto dificuldades em tocar a exata natureza das coisas.

Desconfio do que me chega ao tato

Ou simplesmente não sei mais o que fazer

Com nada daquilo que está posto materialmente no mundo.

Questiono: “A metafísica da dor anestesiou todos os meus sensos?”

Ou: “É necessário passar por esse sequestro que a dor me causa?”

 

A dor avança.

Disso não há dúvidas.

Avança porque diante de mim noto a dor escalando para vidas alheias.

Pessoas do meu peito agora são pessoas da minha violência.

Avança porque, do fundo ou do alto dela, sinto que começa a agir involuntariamente.

Ela está ali, saindo pelos meus poros.

Estou suando e fendendo a nauseabunda força que nos humaniza mais que a morte.

Afinal, passamos mais tempo doendo que morrendo.

O tempo é a prova de que uma e outra coisa não são a mesma coisa.

Conscientizo-me de todas quantas puder,

Todas quantas posso, dores que estão soterradas no meu ser.

Vocês não morarão por muito tempo nesse oculto.

Eu sei que eu era cego, mas agora vejo.

 

Um dos sentidos começa a ficar sóbrio,

Depois de tanto tempo enebriado pelos óculos dos meus sofrimentos.

 

Porém, é difícil ter olhos que vejam do lado de dentro.

Vou orando nessa escuridão.

Nessa vastidão, a pouca luz que vem do alto contrasta com

A luz de mim.

Estou tendo medidas das trevas.

Já consigo medir com os palmos das mãos a natureza dos meus atos ferazes.

Torna-se possível desviar os males que a dor deu forma,

Muitas formas, na verdade.

Formas atingíveis,

Que quase conseguiram arrancar os que são do meu peito.

Inclusive, as formas que quase me desenraizaram dos bons sentimentos de quem me ama.

Teu curso, dor.

Ainda respiro...

Saindo dessa travessia.