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sábado, 4 de abril de 2026

O desejo que nasce de uma falta literária

            

        Como lidar com as sensações que temos diante de desejos que não podemos realizar? Não falo de desejos proibidos de serem realizados, nem desejos ilícitos ou de práticas socialmente sabidas criminosas. Falo de coisas boas, que já foram vividas e que, de repente, começam a reanimar nossos sentimentos.

    Contudo, o tempo passou e o que foi vivido já foi vivido. E, muitas vezes, aconteceram coisas boas em nossas vidas que, por mais que elas tivessem o poder de nos beneficiar, no fundo a gente não via a hora de concluir o ciclo e prosseguir para a próxima fase da vida.

            É muito disso que senti. Senti o desejo por algo que já tive, mas que hoje é uma falta.

Há poucos dias fui tomado pelo desejo de invadir uma sala de aula em que pudesse estar acontecendo algum debate sobre a boa literatura. E era exatamente isso. Havia um buraco no peito, um desejo por mergulhar no universo da teoria literária com pessoas famintas por discutir seus pontos de vista e experiências estéticas sobre algum romance ou conto brasileiro.

Vejam bem. Não poderia ser uma sala de aula qualquer. Talvez até pudesse ser uma sala de aula qualquer no sentido de algo material ou geográfico. Ainda que fosse uma sala sem ar-condicionado, êta sofrimento! Ou ainda fosse distante da minha casa. Tinha que ser um espaço educacional em que houvesse, necessariamente, repito, necessariamente, as vozes fazendo inferências das estrofes de algum poema, atravessando a natureza de suas percepções com as demais áreas do conhecimento humano, impulsionando a produtividade do debate literário às alturas mais apoteóticas.

Era isso.

Como poderia ser isso? Bem, cursei Letras. Amei cursar. Obviamente, faz todo sentido. A beleza da arte literária é algo que se carrega para a vida inteirinha. Todas as boas e as infelizes vezes em que fomos desafiados a ter que labutar com textos artísticos, por mais que as circunstâncias fossem atrapalhadoras, era uma oportunidade de viver algo que só a poesia permite viver quando avançamos em seu universo.

Talvez fosse a aura que eu estivesse, novamente, querendo apreciar. Eu a aprecio sozinho com minhas leituras, com minha biblioteca pessoal. Mas, dessa vez, era diferente. Tinha um detalhe. Aquele círculo. Aquela roda de leitura. Aquele encontro entusiasmado para uns e maçantes para outros.

Era essa invasão que agora eu precisava lidar. Lidei. Não invadi. Mas, desejei. Por falta.