Como lidar com as sensações que temos diante de desejos que não podemos realizar? Não falo de desejos proibidos de serem realizados, nem desejos ilícitos ou de práticas socialmente sabidas criminosas. Falo de coisas boas, que já foram vividas e que, de repente, começam a reanimar nossos sentimentos.
Contudo, o tempo passou e o que foi vivido já foi vivido. E, muitas vezes, aconteceram coisas boas em nossas vidas que, por mais que elas tivessem o poder de nos beneficiar, no fundo a gente não via a hora de concluir o ciclo e prosseguir para a próxima fase da vida.
É muito disso que senti. Senti o
desejo por algo que já tive, mas que hoje é uma falta.
Há
poucos dias fui tomado pelo desejo de invadir uma sala de aula em que pudesse
estar acontecendo algum debate sobre a boa literatura. E era exatamente isso. Havia
um buraco no peito, um desejo por mergulhar no universo da teoria literária com
pessoas famintas por discutir seus pontos de vista e experiências estéticas sobre
algum romance ou conto brasileiro.
Vejam
bem. Não poderia ser uma sala de aula qualquer. Talvez até pudesse ser uma sala
de aula qualquer no sentido de algo material ou geográfico. Ainda que fosse uma
sala sem ar-condicionado, êta sofrimento! Ou ainda fosse distante da
minha casa. Tinha que ser um espaço educacional em que houvesse, necessariamente,
repito, necessariamente, as vozes fazendo inferências das estrofes de algum
poema, atravessando a natureza de suas percepções com as demais áreas do
conhecimento humano, impulsionando a produtividade do debate literário às
alturas mais apoteóticas.
Era
isso.
Como
poderia ser isso? Bem, cursei Letras. Amei cursar. Obviamente, faz todo sentido.
A beleza da arte literária é algo que se carrega para a vida inteirinha. Todas
as boas e as infelizes vezes em que fomos desafiados a ter que labutar com
textos artísticos, por mais que as circunstâncias fossem atrapalhadoras,
era uma oportunidade de viver algo que só a poesia permite viver quando
avançamos em seu universo.
Talvez
fosse a aura que eu estivesse, novamente, querendo apreciar. Eu a aprecio
sozinho com minhas leituras, com minha biblioteca pessoal. Mas, dessa vez, era
diferente. Tinha um detalhe. Aquele círculo. Aquela roda de leitura. Aquele
encontro entusiasmado para uns e maçantes para outros.
Era
essa invasão que agora eu precisava lidar. Lidei. Não invadi. Mas, desejei. Por
falta.
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