Eu mergulho na minha dor
Como quem não tem rumo.
Maximizo. Centralizo. Focalizo.
Isso não é bom!
Asfixio...
Perco a oxigenação do
cérebro
Por onde as ideias
passam.
Passam só as insolúveis:
medo, culpa, impotência
E autocomiseração.
Outros órgãos são
afetados
Bem como suas
capacidades.
Não enxergo mais nada que
não seja por ela.
Vou endoendo todos
cenários da minha vida.
Perdido, desesperançado à
medida que não vejo
Solução para ela.
Sinto dificuldades em
tocar a exata natureza das coisas.
Desconfio do que me chega
ao tato
Ou simplesmente não sei
mais o que fazer
Com nada daquilo que está
posto materialmente no mundo.
Questiono: “A metafísica
da dor anestesiou todos os meus sensos?”
Ou: “É necessário passar
por esse sequestro que a dor me causa?”
A dor avança.
Disso não há dúvidas.
Avança porque diante de
mim noto a dor escalando para vidas alheias.
Pessoas do meu peito
agora são pessoas da minha violência.
Avança porque, do fundo
ou do alto dela, sinto que começa a agir involuntariamente.
Ela está ali, saindo
pelos meus poros.
Estou suando e fendendo a
nauseabunda força que nos humaniza mais que a morte.
Afinal, passamos mais
tempo doendo que morrendo.
O tempo é a prova de que
uma e outra coisa não são a mesma coisa.
Conscientizo-me de todas
quantas puder,
Todas quantas posso, dores
que estão soterradas no meu ser.
Vocês não morarão por
muito tempo nesse oculto.
Eu sei que eu era cego,
mas agora vejo.
Um dos sentidos começa a
ficar sóbrio,
Depois de tanto tempo enebriado
pelos óculos dos meus sofrimentos.
Porém, é difícil ter
olhos que vejam do lado de dentro.
Vou orando nessa
escuridão.
Nessa vastidão, a pouca
luz que vem do alto contrasta com
A luz de mim.
Estou tendo medidas das
trevas.
Já consigo medir com os
palmos das mãos a natureza dos meus atos ferazes.
Torna-se possível desviar
os males que a dor deu forma,
Muitas formas, na
verdade.
Formas atingíveis,
Que quase conseguiram
arrancar os que são do meu peito.
Inclusive, as formas que quase
me desenraizaram dos bons sentimentos de quem me ama.
Teu curso, dor.
Ainda respiro...
Saindo dessa travessia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário