No capítulo 4 de Governai, Evando Martins Filho apresenta o mandato cultural como uma responsabilidade ligada ao propósito de Deus para a humanidade: cultivar, administrar e ordenar a criação.
Governar a terra, nessa perspectiva, não significa impor um regime teocrático. Significa reconhecer que o cristão, orientado por princípios bíblicos, deve influenciar a cultura e a vida pública, servindo à sociedade e refletindo valores como verdade, justiça, liberdade e responsabilidade.
Essa vocação alcança também o governo dos homens. Como o autor afirma na página 61, a terra foi confiada ao ser humano, que deve gerir seus recursos de maneira sábia, justa e generosa, visando ao benefício de toda a raça humana.
A cidadania celestial não produz alienação terrena; amplia nossa responsabilidade. Somos cidadãos do Reino e responsáveis pela cidade, pelas instituições e pelo bem comum.
O capítulo também ressalta, com Jeremias Couto, que a comissão política e cultural foi dada ao gênero humano, incluindo crentes e incrédulos. Platão é lembrado para mostrar que a vida pública nos alcança: afastar-se da política não significa deixar de ser governado. E Wayne Grudem é citado ao recordar transformações históricas associadas à influência cristã, como o enfrentamento do infanticídio, dos sacrifícios humanos, das lutas de gladiadores, da escravidão e de práticas incompatíveis com a dignidade humana.
Na discussão sobre a “Era dos Direitos”, o livro reconhece conquistas jurídicas, mas alerta que direitos, poder e liberdade permanecem em disputa cultural. Por isso, a fé cristã não pode ser confinada ao espaço privado.
Às vésperas das eleições de 2026, essa reflexão ganha relevância no Brasil. Participar da vida pública, avaliar propostas, votar com consciência e defender convicções democraticamente fazem parte dessa responsabilidade.
Não se trata de dominar pessoas em nome da fé, mas de servir, influenciar e governar com princípios, preservando a liberdade e buscando justiça e bem comum. O mandato permanece: não abandonar a sociedade, mas atuar nela com responsabilidade.
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